Solo do Luis Fellipe

14. 11. 18
posted by: Super User
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Mais um sonho realizado, mais uma conquista alcançada!

É impossível definir o sentimento que tive durante esses 16 minutos inesquecíveis, pois apenas quem tem o privilégio de solar pode entender a emoção que senti.



Bom, não me restam dúvidas que a vontade de poder voar existe desde quando eu ao menos, sabia o que era uma aeronave. Com o passar dos anos, o sonho foi aumentando e se tornando realidade.

O treinamento iniciou-se no motoplanador Grob G109B em Jundiaí, o qual sem dúvidas foi fundamental para compreender os princípios do voo a vela. Após algumas horas voadas, iniciei o treinamento no planador puro, onde foi possível iniciar os voos efetivamente sem motor, no planador Puchacz SZD-50-3. Todos os voos, desde o início foram sempre realizados com muita dedicação, afinal de contas, trata-se da luta por um sonho, o qual sempre tive certeza absoluta que iria se realizar.

Após me tornar proficiente na pilotagem do planador, iniciou-se uma fase onde o objetivo era simular e treinar panes que poderiam vir a acontecer em voo real. A partir do voo em que realizamos a primeira pane simulada, a qual foi de Spoiler
Aberto, já comecei a perceber que o primeiro voo solo não estava tão distante quanto eu imaginava. Dando continuidade no treinamento acirrado, em 01/11/2014, sábado de vento calmo e atmosfera “lisa”, fizemos um voo a 400 metros, seguido do treinamento de pane de cabo na decolagem. Pousamos, desembarcamos, retornamos para a cabeceira e a pergunta do instrutor foi: E aí comandante, tecnicamente falando você está pronto, como você se sente? Após essa pergunta, não tive dúvidas que estava apto, seguro e confiante para pilotar efetivamente sozinho. Chegou a hora de aplicar todo o conhecimento adquirido até agora, conhecimento este que é infinito, afinal nunca paramos de aprender. Com isso, iniciei os procedimentos para decolar novamente e realizar o meu primeiro voo solo: paraquedas vestido e ajustado, cintos passados e check list concluído. Rebocador alinhado, fechei o plex, dei sinal de OK para o corredor
de asa e vamos voar, alto e avante!

Corrida de pista e reboque foram totalmente padrão, assim como todo o voo, até o último segundo. Afinal de contas, não existiria outra possibilidade diante de uma equipe de instrutores tão capacitados e qualificados a não ser aplicar o
procedimento sempre instruído. Nessa etapa, confesso que não acreditava que estava totalmente sozinho, pois passou pela minha cabeça um filme de toda minha história e com isso, vi que todo o esforço vale apena, pois nada é perdido. Sem dúvida alguma, o voo foi perfeito, foram 16 minutos inesquecíveis!

Em minha opinião é tudo muito simples, não existe fracasso e sim apenas resultados. Mesmo que as coisas ainda não acontecem do jeito que esperamos, não devemos desanimar ou desistir. Sempre devemos lembrar do que somos capazes e que devemos seguir sempre em frente. Aquele que continua a avançar um passo de cada vez com certeza vai ganhar no final. A vitória é um processo que ocorre com pequenos passos, decisões e ações que gradualmente constroem uma realidade diferente.

Uma das coisas que desde o início da minha carreira no voo a vela me surpreende é a importância do trabalho em grupo. É impossível decolar sem que exista uma equipe, da mesma forma que na vida é impossível realizarmos nossos sonhos sozinhos. Agradeço a todos que fazem parte dessa conquista, em especial minha família e aos amigos que sempre ensinam com muita paciência, as técnicas do voo a vela. Tenho certeza que sem vocês, nada seria possível!

Dessa forma, posso afirmar que umas das melhores sensações da minha vida, foi ter tido a honra de falar pela primeira vez:
“Ingressou Final 21 Rio Claro planador PPD, Aluno Solo”.
E isso é só o começo de tudo, o aprendizado não tem fim. Consegui concluir a primeira fase, a primeira de muitas que ainda estão por vir.